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Os Democratas

  • 22 de dez. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de jan.

Os Democratas (HaDemokratim) é um partido fundado em 2024, através da junção entre os tradicionais partidos da esquerda sionista, Meretz e Avoda (Partido Trabalhista), após os péssimos resultados de ambos nas eleições de 2022. Ainda que houvesse diferenças entre as duas históricas correntes, a realidade próxima à cláusula de barreira acabaram por aproximá-los. O Partido Trabalhista, historicamente ligado à centro-esquerda, perdeu muitos eleitores para os novos partidos de centro, e acabou por voltar-se mais à esquerda, aproximando-se do Meretz.

O novo partido frisa que não é mais uma união técnica em virtude de eleições, e estabeleceu uma estrutura a médio prazo para a fusão total dos antigos partidos, com nova filiação e regras definidas de votação interna para o estabelecimento da sua lista.

Os Democratas, como o próprio nome indica, surge em um momento de crise da democracia israelense, com a direita mainstream migrando para o autoritarismo, e forçando os partidos liberais a abandonarem suas pautas em prol da luta pela democracia. O novo partido é hoje o único que prega abertamente a separação do território em dois Estados, um judaico e outro palestino, além de propor uma economia solidária e social-democrata e a separação entre religião e estado.


Figuras em destaque

Yair Golan, general da reserva, se notabilizou quando ainda estava na ativa por um forte discurso no Dia do Holocausto, no qual indicava que processos semelhantes aos da Alemanha nazista estavam em curso em Israel. Posteriormente, elegeu-se deputado pelo Meretz, e perdeu a disputa pela liderança do partido. Durante o 07 de outubro, sua atuação como uma espécie de Rambo local o trouxe de volta à mídia, quando ele se filiou ao Partido Trabalhista e venceu as primárias, unindo os partidos.

Naama Lazimi é cientista política e historiadora, e ativista da luta sindical. Foi vereadora em Haifa e é deputada desde 2021 pelo Partido Trabalhista. Mossi Raz é economista e ex-presidente do movimento Paz Agora. Foi deputado de forma intermitente em vários momentos, e é um incansável ativista nos campos da paz e do ambientalismo.


Como é decidida a lista?

Todos os filiados ao partido há pelo menos seis meses podem votar, ainda não está claro em quantos nomes cada um. O líder do partido pode indicar o número 2, sem que este passe por primárias. A composição da lista tem reserva de vagas para o Meretz, caso estes não consigam um mínimo de 4 deputados entre os 16 primeiros (a reserva são os números 4, 8, 12 e 16). Além disso, entre os 10 primeiros deve haver uma correlação igualitária entre homens e mulheres.


Posições do Partido 

Os Democratas têm uma plataforma definida, disponível em seu site oficia, chamada "Plano dos Seis Pontos". É nela que nos baseamos para este material.


Religião e Estado

O partido diz que a identidade judaica do Estado de Israel deve ser democrática, igualitária e pluralista, assegurando liberdade religiosa e plena igualdade de direitos a todos os cidadãos, judeus e não judeus. Por isso, prevê o transporte público limitado aos sábados e a criação de mais um dia de descanso durante a semana; propõe a criação de casamento e divórcios civis, sem extinguir o Rabinato (que será reformado) e outras instituições religiosas; o reconhecimento à conversão ao judaísmo por todas as correntes, e a criação de uma "conversão civil".


Política Econômica

Diz que Israel abriu mão na última década de ser um Estado de bem-estar social, e a fim de recuperá-lo, preparou um plano de cinco pliares: redução do custo de vida a partir do combate aos monopólios e do incentivo à concorrência; melhoria dos serviços sociais, sobretudo para a população de baixa renda; investimento em infra-estrutura, inovação e na periferia social; a reconstrução do abandonado serviço público; um forte investimento na educação.


Política Social

O plano dos cinco pilares prevê o fortalecimento do sistema de saúde pública, a expansão do sistema de transportes públicos, a integração dos setores árabe e ultraortodoxo no mercado de trabalho, melhor remuneração para funcionários públicos, e um investimento em tecnologia limpa (clean-tech) a fim de desenvolver a agricultura, a indústria e a infraestrutura, melhorando a qualidade de vida das pessoas (sobretudo na periferia) e gerando empregos.


Territórios e Processo de Paz

Os Democratas criticam a concepção de "administração do conflito", sob a qual sucessivos governos israelenses lidaram com a questão e que se mostrou um fracasso no dia 07 de outubro de 2023. Por isso, o partido prega uma "política permanente", chamada de "separação responsável" dos palestinos, com fronteiras permanentes claras, preservando uma maioria judaica sólida em Israel; um Estado palestino desmilitarizado; o controle israelense no Vale do Jordão; a interrupção de todos os processos de anexação; e a reconstrução da confiança entre as partes, por meio da educação, convivência e projetos civis conjuntos.

Também tem um plano para a reconstrução de Gaza a partir de alianças com países árabes moderados (que pretentem expandir), e uma retórica repleta de ameaças ao Irã e ao "eixo do mal".


Educação

O partido crê que a educação vem se tornando cada vez mais mais desigual e setorial, o que contribui para a fragmentação e o enfraquecimento social. Para isso, elaborou um extenso plano.

Para isso, Os Democratas pretendem unificar o currículo dividido em setores, que inclua incluirá: hebraico, inglês, matemática, ciências (física, química, biologia), história e identidade judaica e israelense, estudos de democracia e cidadania, e cada comunidade poderá integrar conteúdos culturais e religiosos complementares.

Prometem também investir na educação para a primeira infância, melhorar o salário e as condições de trabalho dos docentes, reduzir o número de alunos por turmas, entre outras coisas.

E prometem um maior investimento na área de humanas no meio acadêmico.


Segurança e exército

O partido não diferencia entre segurança e processo de paz (ambos se encontram no mesmo tópico).

O partido prevê um forte investimento no exército, a fim de torná-lo mais eficiente e tecnológico. Pretentem investir na segurança também a partir de alianças estratégicas com países da região, com alguns dos quais planejam expandir relações diplomáticas. E pregam um exército obrigatório para todos os cidadãos - ou um serviço cívico para determinadas minorias.


Outras posições

Promete consolidar a estrutura jurídica de Israel através de uma legislação clara, que determine a separação e a independência dos poderes (sobretudo do Judiciário), salvaguarde a democracia liberal através da proteção dos direitos individuais e das liberdades, o fortalecimento dos governos locais (prefeituras), dando-lhes mais autonomia e recursos, e suprimindo a Lei Nacional do Estado Judeu (leia aqui).


Fontes:


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